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O Vulto
Negro
Um dia meu marido me perguntou porque eu sempre dormia com um pano no rosto... E aí ele ficou sabendo porque eu não era capaz de dormir com os olhos destapados...
Contei a ele que quando tinha 14 anos, fui dormir na casa da minha avó, que como todos nós sabíamos (eu e toda minha família), rondavam na casa muitos espíritos.
Todo mundo da família já viu, sentiu ou ouviu algo ali naquela casa, e minha avó sempre dizia: "são os espíritos bons... eles protegem a minha casa".
Ela todo dia rezava para eles e pedia proteção, pedia para que não saíssem dali nunca. E o incrível é que todas as casas da região foram assaltadas, menos a dela!
Bom, um certo dia, estava eu, meu irmão e meu primo dormindo num quarto da casa. É uma casa grande, e toda coberta de tapetes, e o nosso quarto era o mais próximo da porta de chegada.
Nessa noite, eu escutei algo como o trinco da porta se movendo, fazia um barulho insistente, e eu imaginei : "Quem será que é? Porque eu não escuto ruído de chave?" Pra chegar na porta teriam que passar pelo portão antes, que era muito alto e tinha a grade também, que tinha cadeados, e eu pensei: "Um ladrão não pode ser, porque os cachorros latiriam, meu tio não pode ser também, porque não escutei o ruído das chaves (ele trabalhava e chegava tarde da noite)", então o que me restava era começar a rezar. Rezei, rezei, rezei até que o barulho parou, e disse: "Muito obrigada meu deusinho!" Só que eu comecei a escutar outro tipo de barulho.. Como se fosse alguém se aproximando do quarto! Fiquei gelada! Não tinha nada pra tapar os olhos.
Me cobri com o lençol, mas ele era branco e fino, dava pra ver tudo, mesmo estando com a cara tapada por ele. Aí eu senti uma força estranha que me mandava tirar o lençol da cara. Foi quando vi um vulto negro na porta do quarto. Não dava pra ver a cara, nem a roupa, nada! Eu fiquei ali com os olhos arregalados. Não conseguia nem piscar e percebi que ele tinha a forma de Napoleão... não sei, com aquele chapéu grande. E notava que ele usava traje de guerra...
Ele olhou pro meu lado. Depois virou a cabeça para o outro lado olhando pro meu irmão. Levantou a cabeça e olhou para cima (meu primo estava no beliche, encima do meu irmão). Meu Deus, que desespero! Depois prestou continência, colocou a mão na cabeça e saiu marchando para o lado da cozinha. Parecia um general vendo se a sua tropa estava completa.
Quando ele foi pra cozinha, eu dei um pulo tão grande pra cama do meu irmão, que nem toquei no chão. Estava chorando e disse: "Chris, tem um fantasma aqui!". Ele disse: "Sai da minha cama! Deixa-me dormir!". "Não, não, estou com medo!", respondi. Aí eu subi na cama do meu primo e disse o mesmo pra ele. Ficou com mais medo do que eu e acordou o meu irmão. Daí escutamos outra vez a maçaneta da porta, e disse: "Está vendo! É ele, o fantasma!". Meu irmão se levantou para ver, voltou e disse: "Olha aí o teu fantasma, idiota!". Era o meu tio! Até hoje, nem ele e nem meu primo acreditam que vi o tal fantasma. Mas vi sim! E desde esse dia em diante, não durmo sem um pano na cara, porque assim evito de ver qualquer outro fantasma na porta do meu quarto!
Karla
Araújo - Recife - PE
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