|
Explosão rubra
no céu
Estávamos eu, minha irmã, e minha mãe vindo de Aracati, uma cidadezinha que fica a uns 300 Km de Fortaleza, no Ceará, íamos em direção a Natal no Rio Grande do Norte e, por volta das 22:00 horas, já nos aproximávamos da cidade de Mossoró. Eu estava com a cabeça encostada na janela do ônibus em que vínhamos e escutando música em meu
walkman, olhando em direção à escuridão, que reinava lá fora. Era uma noite de lua minguante em que ela fica parecendo um sorriso de lado. Quase não dava para ver nada da vegetação que passava ligeira pela janela do ônibus. Minha irmã vinha dormindo no assento ao meu lado e minha mãe no assento bem a nossa frente. A maioria dos outros passageiros dormia, pois era domingo a noite e não existe dia mais enfadonho.
Foi neste cenário que aconteceu um dos fatos mais impressionantes da minha vida e que eu um dia contarei aos meus filhos: com a cabeça encostada na janela e a música me distraindo notei um pequeno ponto cor de rosa, na
direção um pouco posterior do ônibus, ao meu lado (direito), bem longe no horizonte. Não liguei muito, mas minha irmã acordou e mostrei aquilo. Foi quando, de repente, houve uma espécie de explosão surda, pois não houve som, apenas luz, e o céu inteiro (pelo menos a parte que eu conseguia enxergar) ficou da cor do ponto, agora mais para vermelho claro do que para rosa. Aquela luz invadiu todo o ônibus, acordando os demais passageiros, o ônibus oscilou um pouco, acho que devido ao susto que o motorista teve. Não tirei os olhos do fenômeno e em meio ao mar vermelho que se tornou o céu, um risco negro em forma de agulha cruzou a abobada rubra em velocidade inimaginável e acredito que passou sobre nós. O céu ficou negro novamente. Tudo isso ocorreu em um intervalo de mais ou menos 1 minuto que pareceu uma eternidade. Incrivelmente o motorista não perdeu o controle do veículo, que continuou em movimento até chegar a Mossoró, onde descemos e vimos que algumas pessoas da própria cidade viram parte do fenômeno. Mais tarde soube que foi até relatado no jornal local. Isso ocorreu quando eu tinha mais ou menos uns 14 anos, hoje aos 20, sou um grande aficcionado por fatos inexplicáveis.
Thiago
- 20 anos - Natal, Rio Grande do Norte
|